TRECHO DO LIVRO ''TAMBORES DE ANGOLA''/SOBRE GUARDIÕES DE UMBANDA

Aventurei-me, então, a perguntar a respeito de algo que me chamara a atenção desde que chegara na tenda.
Quem eram aqueles espíritos que pareciam guardar a entrada do local? Pareciam soldados de um exército de
desencarnados.
- Aqueles são os guardiães, meu caro Ângelo, são os espíritos responsáveis pela disciplina e pela ordem no
ambiente. Em muitas tendas ou terreiros, são conhecidos como exus. Para nós, são companheiros
experimentados, em várias encarnações, em serviço militar, em estratégias de defesa, ou mesmo simples
trabalhadores que se fazem respeitar pelo caráter forte e pelas vibrações que emitem naturalmente. Eles se
encontram em tarefa de auxílio. Conhecem profundamente certas regiões do submundo astral e são temidos
pela sua rigidez e disciplina. Formam, por assim dizer, a nossa força de defesa, pois não ignora que lidamos,
em um número imenso de vezes, com entidades perversas, espíritos de baixa vibração e verdadeiros marginais
do mundo astral, que só reconhecem a força das vibrações elementares, de um magnetismo vigoroso, e
personalidades fortes que se impõem. Essa, a atividade dos guardiães. Sem eles, talvez, as cidades estariam à
mercê de tropas de espíritos vândalos ou nossas atividades estariam seriamente comprometidas. São
respeitados e trabalham à sua maneira para auxiliar quanto possam. São temidos no submundo astral, porque
se especializaram na manutenção da disciplina por várias e várias encarnações.
- Quer dizer, então, que estes são os chamados exus? Mas, quando se fala neles, as pessoas os julgam seres
infernais ou assassinos, e até mesmo certos umbandistas passam essa idéia a respeito deles.
- Existe muita desinformação e falta de estudo, principalmente nos meios que se dizem umbandistas. Na
verdade, prolifera um número acentuado de manifestações religiosas de cunho mediúnico que utilizam do
nome da Umbanda para se caracterizarem perante a sociedade dos homens, mas a verdadeira Umbanda é uma
religião que é destituída de misticismo em seus fundamentos, o que mais tarde poderemos esclarecer a você.
Aqui, no entanto, nos deteremos, para esclarecer melhor o assunto.
Muitos do próprio culto confundem os exus com outra classe de espíritos, que se manifestam à revelia em
terreiros descompromissados com o bem. Na Umbanda a caridade é lei maior, e esses espíritos, com aspectos
os mais bizarros, que se manifestam em médiuns são, na verdade, outra classe de entidades, espíritos
marginalizados por seu comportamento ante a vida, verdadeiros bandos de obsessores, de vadios, que vagam
sem rumo nos subplanos astrais e que são, muitas vezes, utilizados por outras inteligências, servindo a
propósitos menos dignos. Além disso, encontram médiuns irresponsáveis que se sintonizam com seus
propósitos inconfessáveis e passam a sugar as energias desses médiuns e de seus consulentes, exigindo
”trabalhos”, matanças de animais e outras formas de satisfazerem sua sede de energia vital. São conhecidos
como os quiumbas, nos pântanos do astral. São maltas de espíritos delinqüentes, à semelhança daqueles
homens que atualmente são considerados na Terra como irrecuperáveis socialmente, merecendo que as
hierarquias superiores tomem a decisão de expurgá-los do ambiente terrestre, quando da transformação que
aguardamos no próximo milênio. Os médiuns que se sintonizam com essa classe de espíritos desconhecem a
sua verdadeira situação. Depois, existe igualmente um misticismo exagerado em muitos terreiros que se dizem
umbandistas e se especializam em maldades de todas as espécies, vinganças e pequenos ”trabalhos”, que
realizam em conluio com os quiumbas e que lhes comprometem as atividades e a tarefa mediúnica. São, na
verdade, terreiros de Quimbanda, e não de Umbanda. Usam o nome da Umbanda como outros médiuns
utilizam-se do nome de espíritas, sem o serem.
Há muito que se esclarecer a respeito.
Os espíritos que chamamos de exus são, na verdade, os guardiães, os atalaias do Plano Astral, que são
confundidos com aqueles dos quais falamos. São bondosos, disciplinados e confiáveis. Utilizam o rigor a que
estão acostumados para impor respeito, mas são trabalhadores do bem. Como nós, não exigem nem aceitam
”trabalhos”, despachos ou outras coisas ridículas das quais médiuns irresponsáveis, dirigentes e pais de santo
ignorantes se utilizam para obter o dinheiro de muitos incautos que lhes cruzam os caminhos. Isso é trabalho
de Quimbanda, de magia negra. Nada tem a ver com a Umbanda.
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