D E S PE R D I C I O S

HÁ muito desperdicio no mundo, fomentando a miséria entre os homens.
O que abunda em tua mesa falta em muitos lares.
O excesso nas tuas mãos é a escassez em inúmeras famílias.
O que sobra e atiras fora, produz ausência em outros lugares.
Desperdiçam tempo em repouso e férias demoradas, que anestesiam os
centros combativos de ação da alma encarnada.
Desperdiçam alimentos em banquetes, recepções, festas extravagantes
com que disputam vaidades.
Desperdiçam, medicamentos em prateleiras, aguardando, no lar, doenças
que não chegarão, ou, em se apresentando, encontram-nos ultrapassados.
Desperdiçam agasalhos em armários fechados, que não voltarão a usar.
Desperdiçam moedas irrecuperáveis em jogos e abusos de todo gênero,
sem qualquer recato ou zelo.
Desperdiçam a saúde nas volúpias do desejo e nas inquietações da posse
com sofreguidão.

Reparte tua fartura com a escassez do teu próximo.
Divide teus recursos, tuas conquistas e ve-los-ás multiplicados em mil mãos
que se erguerão louvando e abençoando as tuas.
Passarás pelo mundo queiras ou não e teus feitos ficarão aguardando teu retorno.
Como semeares, assim colherás.
O que disperdiçares hoje, faltar-te-á amanhã, não o duvides.
Se pródigo sem ser perdulário, generoso sem ser desperdiçador e o que conseguires
será crédito ou débito na contabilidade da tua vida perene.

Joanna de Angelis - Psicografia de Divaldo Pereira Franco