O DESABROCHAR DA MENTE MEDITATIVA

 
Desejo-lhe Paz e Harmonia Interior.
A mente é como um lago, sua superfície está coberta por ondas de pensamento. Para vermos com clareza, temos primeiro que aprender a aquietarmos estas ondulações tornando-nos o mestre de nossa mente, e não seu servo. Na maior parte de seu dia a mente é lançada de um pensamento a outro, puxada por desejos e aversões, emoções e memórias, prazeres e desprazeres. De todas as forças que agitam-na são os sentidos que mais perturbam a concentração, dando margem a fantasias e desejos. Uma melodia romântica no rádio transporta à primeira vez em que a ouvimos, da mesma forma que um cheiro tentador ou um arrepio podem abalar nossos pensamentos. De todos os sentidos, a visão e a audição são os mais poderosos, sempre dispersando a mente e desperdiçando valiosa energia mental. Por esta razão a meditação usa tanto os sons (mantras) como as imagens.
A mente, por sua natureza, está constantemente à busca de felicidade, esperando inutilmente encontrar satisfação quando atinge algo que deseja. Ao adquirir o objeto desejado, ela temporariamente silencia, mas depois de alguns poucos momentos todo o modelo começa novamente, porque ela permanece inalterada e o verdadeiro desejo por uma plenitude que não dependa de situações externas, permanece carente de realização.
Imaginemos, por exemplo, que saímos à rua e compramos um novo carro. Por algum tempo nos sentimos orgulhosos e satisfeitos – a mente está tranqüila. Mas logo começamos a ansiar por um modelo mais novo ou uma cor diferente, ou começamos a nos preocupar com a probabilidade dele ser roubado ou batido. O que começou como um prazer se tornou mais uma fonte de descontentamento; para aquietarmos um desejo, muitos outros foram criados.
Na verdade nós possuímos uma fonte de alegria e sabedoria dentro de nós, um fundo de tranqüilidade que nós podemos perceber e usar como alimento quando o movimento da mente está quieto. Se nós pudermos canalizar este desejo de contentamento para dentro de nós ao invés de atá-lo a objetos externos que são efêmeros por natureza, nós poderemos descobrir como viver em paz.
Durante a meditação experenciamos a mente como um instrumento. Até mesmo concentrando-nos alguns poucos períodos a cada dia, nós começamos a ver quanto movimento existe na mente e quão pouco nós vivemos o presente. A partir deste breve encontro com um diferente modo de percepção, podemos aprender a observar e então mudar o nosso modo de pensar. Uma das ferramentas mais usadas para controlar a mente é parar de associá-la com nossas emoções, pensamentos e ações. Ao invés de nos identificarmos com eles, simplesmente os deixemos para trás e assumimos o papel de testemunha, como se estivéssemos observando outra pessoa. Observando a nós mesmos desapaixonadamente desta forma, sem julgamento ou elogio, nossos pensamentos e emoções perdem poder para nós, que começamos a ver corpo e mente como instrumentos que podemos controlar. Separando-nos do jogo do ego, aprendemos a ter responsabilidade para conosco mesmos.

Não estaremos propensos a obter sucesso em dominar a mente na nossa breve sessão de meditação se lhes dermos livres rédeas no restante do tempo. Quanto mais tempo gastamos com a mente concentrada, mais rapidamente conseguiremos focar-nos ao sentar para meditar. Além das técnicas de meditação, há muito que podemos fazer para mantermos nossa mente centrada. Enquanto caminhamos, por exemplo, tentemos sincronizar nossa respiração com nossos passos – inspiremos durante três passadas, expiremos por outras três. Respirar lentamente e com controle aquieta a mente também. Quando estivermos lendo um livro, testemos nossa concentração parando no final da página para ver quanto nos lembramos.
O mais importante de tudo é manter o pensamento o mais positivo possível. Em dias em que nossa paz mental está abalada por alguma experimentação, podemos freqüentemente nos acalmar focando na emoção contrária – opondo-nos a sentimentos de ódio o amor; à dúvida a esperança. Usando estas simples técnicas iremos pouco a pouco acostumando nossa mente a um estado de concentração. Começaremos a perceber que influências externas estão tendo menos efeito sobre nós. Mesmo que tenhamos uma semana difícil no escritório ou um divertido final de semana, nosso humor permanecerá equilibrado, nossa força interior estará aumentando. Passamos a entender que no meio da mudança há a essência da vida, e que nela podemos permanecer constantes e seguros.
Namastê!
Ad...rz.

Por Ronaldo Adonai