ORGULHO X HUMILDADE

Nos diz um amigo espiritual:
“Não é teu igual o infeliz que passa fome? Lembra-te de que a morte não te poupará, como a nenhum homem"
À vista de tantas admoestações para tão grave falta (o orgulho), cumpre-nos identificar, em
nós, aquilo que a alimenta e a indiferença que a perpetua, para atacar, prontamente, esse mal.
E ele continua:
"As principais reações e características do tipo predominantemente orgulhoso são:
a) Amor-próprio muito acentuado: contraria-se por pequenos motivos;
b) Reage explosivamente a quaisquer observações ou críticas de outrem em relação ao seu
comportamento;
c) Necessita ser o centro de atenções e fazer prevalecer sempre as suas próprias idéias;
d) Não aceita a possibilidade de seus erros, mantendo-se num estado de consciência fechado ao diálogo construtivo;
e) Menospreza as idéias do próximo;
f) Ao ser elogiado por quaisquer motivos, enche-se de urna satisfação presunçosa, como que se reafirmando na sua importância pessoal;
g) Preocupa-se muito com a sua aparência exterior, seus gestos são estudados, dá demasiada importância à sua posição social e ao prestígio pessoal;
h) Acha que todos os seus circunstantes (familiares e amigos) devem girar em torno de si;
i) Não admite se humilhar diante de ninguém, achando essa atitude um traço de fraqueza e
falta de personalidade;
j) Usa da ironia e do deboche para com o próximo nas ocasiões de contendas."
Não falta clareza e sinceridade nas orientações espirituais. Eis o que diz o Espírito Adolfo,
bispo de Argel, sem meias palavras:
“Homens, por que vos queixais das calamidades que vós mesmos amontoastes sobre as vossas cabeças? (...) Generaliza-se o mal-estar. A quem inculpar, senão a vós que incessantemente procurais esmagar-vos uns aos outros? Não podeis ser felizes, sem mútua benevolência; mas, como pode a benevolência coexistir com o orgulho? O orgulho, eis a fonte de todos os vossos males.”
Com energia inusitada e franqueza quase rude, no estilo "sim, sim; não, não" - ainda mais por integrar o capítulo “Bem-aventurados os que são brandos e pacíficos” - o Espírito Lázaro previne-nos, ainda em 1863, ano distante dos tempos apocalípticos ora vividos:
"Ai do espírito preguiçoso, ai daquele que cerra o seu entendimento! Ai dele! porquanto nós, que somos os guias da Humanidade em marcha, lhe aplicaremos o látego e lhe submeteremos a vontade rebelde, por meio da dupla ação do freio e da espora.
Toda resistência orgulhosa terá de, cedo ou tarde, ser vencida."
Quantos poderosos já mandaram na Terra de forma absoluta, ao longo da história humana?
Onde estão eles, apesar de toda a pompa de que se cercaram?
Jesus, contudo, chegou humildemente, numa manjedoura, entre pastores e animais, sem uma pedra onde repousar a cabeça, e nos trouxe mensagem de Amor e Paz.
Os primeiros vieram precedidos de armas, lutas e multo sangue.
Aqueles se impunham pela força, pela violência, pela esperteza.
O Mestre busca conquistar-nos, sem violentar nossas consciências, sem impor, mas, sim, pela compreensão do amor, da fraternidade, da humildade, da mansuetude.
Os reis do mundo buscam o domínio exterior, espalhafatoso, sempre transitório.
Jesus quer nos conceder a posse do reino de Deus e nos vem buscar o coração, conquistando-nos de forma definitiva, convertendo-nos, a pouco e pouco, à compreensão da verdade. Respeita nossas limitações.
Dirige-se aos humildes de coração, que não se iludem com o lado externo da vida, que
alimentam em seus corações fé sincera em Deus, que Nele confiam, que a Ele se entregam, fazendo sua parte, trabalhando e orando, agradecendo-lhe por tudo.
Aos orgulhosos, deixa a pesquisa dos segredos da Terra. "E revela os do céu aos simples e aos humildes que diante dEle se prostram."
Silenciosa e imperceptivelmente, Ele trabalha nossos corações e nos transforma lentamente,
no ritmo de nossa compreensão e aceitação. Faz-nos viver experiências necessárias às mudanças que devemos realizar em nós mesmos, buscando romper nosso comodismo. Age sem pressa e de forma totalmente anônima, a ponto de muitos negarem Sua existência. Convém-nos, pois, aderir, ainda que tardiamente, ao Seu programa renovador.
O orgulho independe da condição social: há orgulhosos entre poderosos e ricos como os há
entre os menos favorecidos da “sorte” (aparentemente humildes, pois que humilde é a sua condição social); assim como há, entre todos eles, pessoas humildes e submissas aos desígnios de Deus.
Porque as circunstâncias exteriores da vida (posses, posição social, poder, beleza, saúde física, etc.) são passageiras, ilusórias, cumpre-nos despertar para extirpar esse "calo" da alma, que nos mantém, há séculos, na retaguarda.
E ninguém mais o pisará, quando deixar de existir em nossos corações.
Abraços energéticos cheios de luz, amor e paz!
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Por Ronaldo Adonai