CONQUISTANDO O INEFÁVEL

Quando um homem não reage mais a cada prazer ou dor, a cada
simpatia e antipatia com uma resposta ou ação egoísta, torna-se
também independente das impressões mutáveis do mundo
exterior. O prazer que sentimos num objeto faz-nos dependentes do
mesmo. Nós nos perdemos nele. Um homem que se perde, ora
no prazer, ora no sofrimento, ao sabor das varias impressões,
não pode perlustrar o sendeiro do conhecimento espiritual. Cumpre-lhe
aceitar o prazer e a dor com serenidade. Cessa, então, de perder-se
neles e, em compensação, começa a compreendê-los. Um prazer
a que eu me abandone, devora-me a existência no momento em que
me entregar a ele. Devo, porém, servir-me do prazer unicamente para
compreender melhor a coisa que me proporciona prazer. O que me
deve importar não é que a coisa me proporciona prazer; devo experi-
mentar o prazer, e por intermédio do prazer a natureza da coisa. O
prazer deve ser-me, portanto, o indicio de que na coisa existe uma qua-
lidade apta a proporcionar prazer. Eu devo aprender a conhecer essa
qualidade. Se eu me detenho no prazer e deixo-me inteiramente
absorver por ele, então sou eu só que me realizo; mas se o prazer me
é somente um ensejo para experimentar uma qualidade da coisa,
meu intimo ser se enriquece por meio dessa experiência. Para o
investigador espiritual, prazer e desprazer, alegria e dor, devem, assim,
constituir ensejos pelos quais lhe é dado aprender sobre as coisas.
Assim sendo, ele não se embota com prazer e sofrimento, mas se eleva
acima deles para que eles lhe revelem a natureza das coisas.
Desejo-lhe que o “espírito” da Páscoa interpenetre o seu espírito e lhe
proporcione o prazer da Verdadeira Liberdade.
Namaste!
Adonai