SENTIMENTO DE HUMILDADE


Sentimento de humildade



“Jesus ensinou as reações mais afins à libertação espiritual, quando assim exclamava: ‘Se te tirarem a túnica, dá-lhe também a camisa’, ‘Ama o próximo como a ti mesmo’, ‘Faze aos outros o que queres que te façam’ e ‘Se teu adversário obrigar-te a andar uma milha, vai mais uma com ele’. Assim, esquematizou perfeitamente o desprendimento total e necessário das nossas concepções comuns e egoístas do mundo físico, demonstrando a conduta imprescindível para o espírito poder libertar-se do jugo fascinante, mas ilusório da matéria.



Não basta essa vivência tão sacrificial e desprendida, mesmo que o homem doe tudo de si a outrem, caso ele ainda não esteja possuído de tanta humildade, que possa perdoar a todos os seus adversários e autores de sua própria infelicidade. Zombado, acanalhado, caluniado e infamado pelas ingratidões de amigos mais estimados, dominados pelo orgulho, vaidade, ciúme, ambições, inveja e avareza, ainda é preciso que o iniciado na didática do Evangelho tenha consciência do benefício e do seu martírio, opondo a sua chance límpida de ressentimento, de perdoar tanto quanto o Cristo perdoou.



Sem dúvida, essa não é a humildade que se confunde com o servilismo, mas que liberta o espírito da matéria, pois quando Jesus enunciou que o ‘humilhados serão exaltados’, referia-se à humildade consciente, ao estado de apercebimento mais profundo e intuitivo da vida, em que a criatura cede espontaneamente para não agredir e tolera para não impor.



A humildade não é tão simplesmente uma virtude que se deve cultivar deliberadamente no sentido de se galardoar espiritualmente. A terra, com suas dores e vicissitudes, em vez de mundo expiativo e indesejável, pode ser considerada escola de alfabetização espiritual, ou valioso laboratório de enriquecimento e embelezamento da alma. Em conseqüência, o homem humilde é aluno paciente, conformado e satisfeito, que melhor aproveita as lições do mundo, uma vez que ele é sempre que mais se apercebe da realidade espiritual, em face de ouvir sem protestar, solicitar sem exigir, aprender sem pontificar.”





Fonte:


O Evangelho à Luz do Cosmo/Ramatís; obra mediúnica ditada pelo espírito Ramatís ao médium Hercílio Mães – 9ª ed.- São Paulo: Editora do Conhecimento, 2005. pág. 177/178.