O Mito dos Cavalos Alados de Platão




O mito dos Cavalos Alados, deixado pelo filósofo grego Platão, sobre a origem das almas humanas e sua natureza.
Conta Platão, em seu diálogo Fedro, que no início de nosso mundo participamos de uma corrida grandiosa junto aos Deuses.
Cada alma humana consistia de uma carruagem, puxada por dois cavalos alados. Um dos cavalos possuía natureza divina e virtuosa; o outro, de natureza animal, índole rebelde e passional.
As carruagens se puseram em fileiras, lideradas pelos principais deuses do Olimpo, na corrida rumo ao Céu de Uranos, o Céu da Perfeição, dos Arquétipos Celestes. 
Iniciou-se a corrida divina. O filósofo descreve esse cenário de forma fantástica para o nosso imaginário: os deuses perfilados, majestosos, em seus cavalos de longas asas luminosas, dirigindo-se ao alto, seguidos pelas almas humanas, em seus pequenos carros. 
As longas fileiras descreviam espirais, rumo à abóbada celeste. As almas humanas encontraram dificuldade para acompanhar os Deuses, pois um de seus cavalos, o de índole difícil, de asas curtas, dirigido pelos impulsos instintivos, não obedecia aos comandos do condutor. Enquanto que seus cavalos de natureza pura e divina, naturalmente dirigiam-se ao alto, atraídos por um poder fenomenal. E, inevitavelmente, num dado momento, um a um, os carros humanos se desgovernaram, caíram e se arrebentam na Terra.
E até hoje, as almas humanas permanecem na Terra, em busca do domínio de seus cavalos, em busca de fazer crescer as asas de suas almas para novamente adentrarem na corrida celeste, junto aos Deuses.
Mas a experiência não teria sido em vão. Em meio à corrida, as almas puderam contemplar, num relance, o Céu de Uranos. Tal visão as teria impactado no mais profundo do seu Ser. A essa memória, a essa lembrança fugidia, Platão chamava Reminiscência. A recordação de algo que vivemos no início dos tempos, que não sabemos precisar muito bem o que é, mas que de alguma forma ficou gravado em nossos corações; uma assinatura do Divino: a recordação do tão grande e elevado o ser humano pode chegar a ser.

Trecho do artigo "A Alma", da Profª Alice Amara, diretora da Nova Acrópole em Goiânia.