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quinta-feira, 7 de junho de 2012

DAR E RECEBER...



Um círculo. Certamente, em algum momento, você já deu as mãos, fazendo um círculo, com outras pessoas, mesmo que para brincar de roda. Você prestou atenção às palmas da sua mão ao segurar a mão da pessoa que está à sua direita e à sua esquerda? As palmas de suas mãos voltam-se, ambas para cima ou para baixo? Ou uma mão está voltada para cima e outra para baixo? Na maioria das vezes, não prestamos atenção a esse detalhe e, quero tomar esta imagem como ponto de partida para falar sobre o tema deste post: dar e receber.
O círculo é uma forma perfeita, onde dois pontos se encontram formando um elo, uma corrente, uma união; onde todos podem ver e ser vistos, onde ninguém está à frente ou atrás. No círculo, não existe quem sabe mais e quem sabe menos… Todos têm a sua sabedoria e experiência de vida, que é única. O círculo simboliza o dar e receber contínuo em nossas vidas: enquanto estou dando com uma mão, estou recebendo com a outra.
É por isso que, ao formarmos um círculo, devemos dar as mãos da seguinte forma: a palma da mão direita fica voltada para baixo e a da esquerda voltada para cima. A mão direita representa nossa força, nossa capacidade de ação no mundo, o fazer. E, quando nos sentimos fortes, podemos sempre estender nossa mão e ajudar o outro. A mão esquerda, é a mão do coração, representa o nosso lado frágil e, quando estamos fragilizados, é importante todo o apoio, palavra e mão amiga que recebemos.
Dar e receber. Tem pessoas que sabem dar, mas não sabem receber e vice-versa. Tem pessoas que dão esperando receber algo em troca, tem pessoas que recebem e nada dão. Tem pessoas com medo de dar e lhes faltar, tem pessoas que estão sempre dando e, nunca lhes falta nada, parece que estão sempre em estado de abundância e gratidão.
Onde será que está o ponto de equilíbrio entre dar e receber?
O ponto de equilíbrio pode ser o amor incondicional. Quando nos ligamos no amor a outro ser humano, algo sutil e precioso pode acontecer a energia flui e não tem mais importância o dar o receber, pois elas passam a fazer parte de um só movimento, que é o movimento da entrega ao fluxo… Nos ligamos à grande energia que rege o universo… Passamos a conhecer a medida das coisas e a saber ouvir as próprias necessidades e as necessidades dos outros, sem contabilizar, sem cobrar… Passamos a entender profundamente cada momento e cada pessoa, assim como são. E aprendemos que dar é receber, receber é dar.
Quero finalizar com uma estória adaptada de um conto de Hermano Hesse:
“José e Daniel foram dois renomados curandeiros que viveram em tempos bíblicos. Ambos eram muito eficazes, ainda que trabalhassem de maneiras e com estilos diferentes. Ainda que contemporâneos, nunca tiveram um encontro e se consideravam mutuamente rivais. Foi assim durante anos, até que José, o mais jovem, adoeceu espiritualmente. Desesperado e sentindo-se incapaz de curar-se a si mesmo, partiu em peregrinação buscando a ajuda de Daniel. Durante seu percurso, descansando em um oásis durante a noite, iniciou uma conversa com outro viajante que, ao escutar o propósito de sua viagem, ofereceu-se como guia para ajudá-lo em sua busca por Daniel. Partiram juntos e, no meio de sua longa expedição, o homem mais velho revelou sua identidade. Ele era Daniel, a quem José procurava. Ato contínuo, passado o assombro de José, Daniel o conduziu até sua casa, convidando-o a permanecer ali. No princípio, diante do pedido de Daniel, José foi seu servente. Logo aprendiz e, finalmente, um colega de igual hierarquia. Assim viveram e trabalharam juntos muitos anos. Anos depois, velho e doente, Daniel pediu a José que escutasse uma confissão. Começou recordando seu encontro no oásis quando José, doente, viajou em busca de sua ajuda e como José havia considerado milagroso aquele encontro. Agora, enfrentando sua própria morte, Daniel quebrou o silêncio de tantos anos confessando que, para ele, também foi milagroso. Ele também, naquela época, havia caído em um sombrio desespero, sentindo-se vazio espiritualmente e incapaz de curar a si mesmo. Aquela noite do encontro, ele havia iniciado sua própria viagem em busca da ajuda do famoso curandeiro chamado José.”
Pense nisso…
Bons ventos lhe soprem o que precisa para ser feliz!
Márcia de Lucena Saraceni

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